terça-feira, 24 de agosto de 2010

Vênus e Medusa

Márcia Serafim é nossa estrela de hoje. Estrela de brilho próprio, nascida dos olhos de Vênus, capaz de seduzir como Medusa. Márcia é musa. Mas também é poetisa, escritora de inteligência voraz, criatividade lascinante. O tema de sua monografia em Letras já nos dá pistas de quem é esta mulher que não teme ousar se intitular "maravilhosa": A moral e a religiosidade nas obras do escritor francês Marquês de Sade. Márcia empresta um pouco do brilho deste olhar, fatal e vital, para nós. Segue texto escrito e prontamente ofertado quando descobriu o blog. A imagem que o ilustra foi cedida por ela.



“A vida é uma peça de teatro, que não permite ensaios. Por isso, cante, dance, ria e viva intensamente, antes que a cortina se feche e a peça termine sem aplausos."(Desconheço o autor)



Cenas da vida - 1º Ato

Luzes apagadas, cortinas serradas. O palco que antes parecia tão grande jaz solitário... É a vida que passa ligeira.

E ela ali, olhando as cadeiras vazias. Cadê os aplausos que antes a incomodavam? Hoje só pranto se ouve... É o barulho da vida que segue.

Vida de poucas saídas, vida de pouco brilho. Vida sentida em poucos sorrisos, sem viço, vida sem juízo.

E ela sentada à beira do tablado, vê a existência acabando, já não é a mesma mulher, dela restou somente parcelas de uma atriz decadente. Dela restou apenas parcelas do que se foi, do que já não é.

E ninguém mais a aplaude de pé, pois a mulher se perdeu pelos palcos da vida. Fez arte, fez peças... A aprendiz de raposa, foi presa fácil, se perdeu...Decaiu, endureceu...A luz apagou,

O palco esvaziou

E sua vida descontrolada, totalmente enviesada em dores de amor, se vai...

E a dignidade que ainda lhe resta, permite que levante a cabeça e olhe em direção ao palco...E lá está ela refletida num espelho opaco...

Cena de horror, semi-sorriso de dor...Eis o que faz um grande amor.


Cenas da vida – 2 º Ato

E ela levanta lentamente, ergue suas ancas cansadas e segue em direção ao nada. Tão vazia de sentimentos, tão cheia de tudo.

Olha-se naquele mesmo espelho opaco e contempla a ação do tempo...Sem expressão, sem começo, sem fim, apenas um imenso nada, um estúpido nada.

Abre a bolsinha de camurça vermelha e pega um batom carmim...E fingindo formosura, tenta, desesperadamente, (RE) começar...(RE) abrir as cortinas de sua própria vida...

O show tem que continuar.

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