terça-feira, 24 de agosto de 2010

O tamanho de um sonho

Conheci Diana Navas quando era aluna do curso de Letras. Olhos vivos, cheia de vida, mente inquieta e constante insatisfação. Aluna dedicada, não se contentava com um trabalho bem feito, queria trabalho muito bem feito. Muitos professores admiravam aquela menina de fala articulada e exímia pesquisadora.

Mas Diana, apesar de todos estes atributos e do nome de deusa, é uma pessoa comum. Na graduação e depois dela partilhou comigo seus sonhos e muitas de suas inseguranças. Será que sou capaz? Será que vou conseguir? Este desafio não é grande demais? O que faz Diana tão especial é o tamanho de seus sonhos. Tudo fica pequeno perto deles. E com muito trabalho, conseguiu realizar parte deles.

Por isso, pedi para ela, hoje minha colega de trabalho, escrever o depoimento que segue. Nele, ela conta parte de sua trajetória para que sirva de inspiração a todos aqueles que acham que são apenas mais um número na matrícula na universidade. Você pode ser diferente. Basta reconhecer o quanto você é especial!

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Meu ingresso no curso de Letras da UniABC aconteceu em 2002. Movida pela minha paixão por livros e, principalmente, pelo fato de ter começado a ensinar inglês em uma escola de idiomas, entrei na faculdade com uma idéia fixa: queria me tornar uma professora universitária. Sabia que se tratava de um longo caminho a ser percorrido (afinal, acabara de iniciar a graduação!), mas, ao mesmo tempo, sabia que o primeiro passo já havia sido dado.

A princípio, meu interesse era na área de língua inglesa, em virtude do meu trabalho. O contato com excelentes professores de literatura, no entanto, despertou uma antiga paixão, nutrida desde a infância: a literatura – paixão esta que não foi apenas despertada, mas nutrida durante os três anos do curso.

No último semestre da Graduação, comecei a pesquisar cursos de mestrado em Literatura. Foram incontáveis as vezes que eu acessei os sites da PUC e da USP para saber das datas, do processo seletivo, sonhando um dia, ingressar em uma delas. Mas, embora quisesse muito, achava algo impossível: afinal, eu estava me graduando em uma faculdade particular (e eu acreditava que sofreria preconceito por isso) e não tinha condições financeiras para pagar o curso (no caso da PUC).

Nesta época, ouvi conselhos diversos: alguns professores consideravam loucura eu ingressar diretamente no mestrado. Outros, e estes eram os meus grandes exemplos, apoiavam-me a enfrentar este desafio. Seguindo o conselho destes últimos (ainda bem que não damos ouvidos àquelas pessoas que insistem em dizer que não vamos conseguir!) e a idéia de que “onde há uma vontade, há um caminho”, em março de 2005, fiz minha inscrição no processo seletivo para o curso de mestrado em Literatura e Crítica Literária na PUC.

Descrente de que pudesse ser aprovada (vejam que não são somente os outros que nos impulsionam para baixo – “nós” somos nossos grandes inimigos), entreguei meu projeto e, no dia da minha entrevista, tive a minha primeira surpresa: um dos mais renomados professores da PUC, o prof. Dr. Fernando Segolin, convidou-me para ser sua orientanda, afirmando ter gostado muito do meu projeto. Naquele momento, embora que ainda não completamente, comecei a acreditar que era capaz de tornar meu antigo sonho em realidade.

Fui aprovada no processo seletivo e iniciei o curso em agosto de 2005. Desde então, disposição, empenho, dedicação, trabalho, perseverança, muita paixão pela literatura, renúncias fizeram parte (e ainda fazem!!!) de minha rotina. “Sacrifícios” (assim os chamam as pessoas) que me renderam, no segundo semestre, graças a meu desempenho, uma bolsa da CAPES.

Não posso negar que foram dois anos difíceis, de renúncias e mesmo de um certo abandono da vida pessoal, mas, sem dúvida, foram anos primordiais para o meu crescimento não só acadêmico, mas, principalmente, pessoal. Cada conquista obtida contribuía para comprovar o que pessoas amigas, diziam e que eu insistia em não acreditar: você é capaz de fazer as coisas acontecerem.

A defesa do meu mestrado aconteceu em outubro de 2007 (exatamente três anos depois de eu ter apresentado meu TCC na Semana de Letras da UniABC). Fui aprovada com conceito dez e elogiada pela banca que afirmava que minha dissertação de mestrado poderia, com um pouco mais de tempo e pesquisa, transformar-se em uma tese de doutorado.

No início de 2008, comecei a trabalhar como professora da Uninove e já estava muito feliz com a realização do meu sonho. Porém, tive uma surpresa ainda maior: fui convidada para ministrar aulas no curso de Especialização em Literatura da PUC, substituindo aquele que é meu ídolo/amigo/orientador – o professor Fernando Segolin. Preciso contar a satisfação com que recebi este convite?

A leitura deste “depoimento” pode suscitar em alguns a idéia de que venho apresenta-lo como forma de exibicionismo. O que desejo, no entanto, é algo bastante contrário: é demonstrar e dar um exemplo concreto que somos capazes de concretizar os nossos sonhos. Que somos capazes de criar oportunidades. Que somos capazes de ver caminhos onde muitos só vêem obstáculos.

Vencer as barreiras que nos cercam (barreiras estas, muitas vezes, impostas por nós mesmos) está em nossas mãos. É uma questão de opção nos contentarmos com o que nos é “facilmente” oferecido ou partir em busca daquilo que é, aparentemente, impossível. É uma questão de escolha se colocar na posição de oprimido ou tentar fazer a diferença.

Tenho aprendido, a cada dia, a confiar mais em mim. A acreditar que sou capaz. A sonhar e confiar que posso realizar. E é por isso que já estabeleci uma nova idéia fixa: meu doutorado.

Como já dizia o poeta, não somos do tamanho da nossa altura, mas do tamanho dos nossos sonhos.

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