Obrigada, Gustavo, pelo depoimento.
O tamanho dos sonhos
A cada dia tenho aprendido que o mundo é do tamanho de nossos sonhos. Se nossos sonhos forem grandes, o mundo sempre será um espaço a ser conquistado e cada novo desafio se tornará uma experiência valiosa.
Com 17 anos de idade ingressei na Universidade, no curso de História, o meu grande sonho até então. Sonho realizado com gosto especial pois na época eu estava desempregado e meus pais não poderiam de forma alguma custear meus estudos. Na busca por uma oportunidade, conheci o Programa Universidade para Todos, o PROUNI, criado naquele mesmo ano e com inexplicável alegria recebi a notícia de que havia sido aprovado e estudaria na UNIABC. Naquele momento não conseguia imaginar nada além de me formar e poder realizar o meu outro sonho que era de voltar à escola em que havia cursado o Ensino Fundamental para ministrar as minhas aulas.
A verdade é que eu era apenas um idealista na Universidade e desejava aprender em cada situação e em cada experiência, em cada diálogo, já que era um dos mais jovens de minha turma. Ali busquei me esforçar, mas na minha visão, onde eu estava era o ápice, sobretudo quando, já no segundo ano do curso, consegui meu primeiro emprego, na escola em que eu havia estudado. Ao ver meus companheiros, muitos já professores de outras disciplinas, já graduados em outras áreas me sentia pequeno, com “muita lenha para queimar”.
Entretanto, ainda no meu primeiro semestre no curso, conheci uma professora muito importante para a minha formação.
Minha relação com os meus professores era de respeito e admiração e poucas vezes me dirigia particularmente a eles, até por medo de fazer perguntas bobas. Mas com esta professora foi diferente. Ela, ao ler alguns de meus trabalhos acadêmicos, me procurava para discutirmos alguns pontos, sempre com um elogio, mas sempre com sua criticidade peculiar. Eu sempre admirei o fato de ela ler com tanto empenho nossos trabalhos e dialogar conosco com tanta base.
Este tratamento que recebi mudou minha postura. Me deu mais firmeza e segurança naquilo que produzia, liberdade para que eu me sentisse apto a buscar mais informações com todos os demais professores e me ensinou que um professor pode sim fazer diferença na vida de um aluno. A partir desse momento entendi o que era uma Academia e que era neste espaço que eu gostaria de firmar meus passos.
Dada a obrigação de redigirmos um Trabalho de Conclusão de Curso, o famoso TCC, para completarmos nossa formação, procurei esta professora para apresentar a proposta da pesquisa que eu gostaria de realizar, a saber, a história das políticas públicas em saúde mental no município de Santo André. Ela prontamente aceitou a proposta e me incentivou a realizar uma pesquisa elaborada, dado o pouco enfoque historiográfico sobre o tema.
Exatamente por não haver um trabalho deste tipo para nos dar base, tivemos muitas dificuldades em meio à pesquisa. Ao buscarmos auxilio com a professora que em um primeiro momento nos orientou, fomos aconselhados a mudar de tema, o que nos gerou uma enorme frustração. Todavia, a minha querida professora, que não estava nos orientando oficialmente ainda, acreditou que poderíamos superar tais impasses e que poderíamos fazer um bom trabalho. O apoio dado foi ainda maior quando ela assumiu a orientação dos TCCs no último semestre do curso. A partir de então a pesquisa fluiu e pudemos concluir nosso trabalho.
Além disso, ela nos deu a honra de apresentarmos as conclusões de nossa pesquisa no lançamento de seu livro, o que foi uma responsabilidade e tanto! Mas foi assim que ela me fez acreditar que eu podia alçar vôos maiores. Meu sonho cresceu. Eu desejava cursar um Mestrado e poder ministrar aulas em uma Universidade para talvez ter a mesma importância na formação de outros alunos. Meu mundo ficou maior, pois já não tinha mais medo de sonhar.
Já formado, alimentava o sonho de cursar o Mestrado e meu foco era a USP, inegavelmente a maior Universidade do Brasil, mas não tinha a menor idéia de como adentrar na pós-graduação e não possuía um Orientador definido. Tinha apenas em mente a idéia de ampliar a pesquisa realizada no TCC. Adivinhem para quem pedi ajuda!
Foi esta mesma professora quem me indicou o Laboratório de Estudos da Intolerância da USP como um caminho possível. Descobri que um ex professor da UNIABC realizava pesquisas no laboratório e ele por sua vez me indicou para a sua Orientadora, Zilda Lokoi, que nos informou sobre as pesquisas da professora Maria Amélia Dantes, sobre História das Ciências no Brasil. Assim, enviei um e-mail para ela, pedindo que lesse meu TCC e se ela poderia orientar meu trabalho, já que as inscrições estavam se encerrando. Ela aceitou, desde que o recorte temporal fosse modificado para a década de 1930 e o foco geográfico fosse o estado de São Paulo.
Assim, passei pelas seleções, inclusive de forma milagrosa pela prova de proficiência em Inglês, já que nunca havia feito nenhum tipo de curso de idiomas. Iniciei o Mestrado em História Social em julho de 2008 e mais um sonho se realizou. Sei que coisas maiores virão, mas compreendi que como diria Raul, “o sonho que se sonha junto é realidade”.
Por isso agradeço a Deus por ter me feito viver tudo isso e por ter colocado pessoas em meu caminho que se dispuseram a me ajudar e que acreditaram em mim. Entre estas pessoas, está a professora que sempre terá um lugar cativo em meu coração.
Um abraço a todos,
Gustavo Querodia Tarelow
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