Sabem que sou uma professora apaixonada mas estou cada vez mais feliz com as possibilidades que a disciplina Filosofia da educação me oferece. Entendo que Filosofia é você pode olhar para o mundo questionando-o e a partir dos questionamentos que fizer, posicionar-se, sem se acomodar. Neste semestre, surgiu o desafio de fazer uma turma de 2o. semestre de Letras refletir sobre a educação de nosso país, sem estar na sala de aula como professores. Pensei, então, em aproveitar A Utopia, de Thomas More, para provocá-los a pensar no que seria a educação atual frente às mazelas que vivenciamos. Eles realizaram uma pesquisa sobre Educação no Brasil e leram o texto de More. Escreveram, então, uma utopia de educação a partir de suas reflexões. A seguir, reproduzo alguns dos bons textos que surgiram nesta turma. Vale ler todos e pensar: qual é a sua utopia de educação?
Cidade dos Sonhos
Midian Santos
Um casal que vivia numa sociedade tomada pela violência, desigualdade social, totalmente destruída, descobriu que logo logo teriam uma linda criança para cuidar.
Preocupados com tantas coisas ruins que aconteciam naquela cidade, procuraram um lugar distante que nunca tivesse sido habitado por seres humanos. Escolheram uma ilha pequena e bela e por serem conscientes, fizeram o convite para alguns casais a fim de lá criarem uma sociedade perfeita.
O convite foi aceito por algumas pessoas que com seus conhecimentos ajudariam no desenvolvimento da sociedade.
É claro que eram pessoas com costumes diferentes, que até então também tinham interesses diferentes e abriram mão de algumas conquistas por um ideal que todos a partir daquele momento tinham em comum. Por isso a primeira decisão tomada foi que as crianças sempre saberiam que fora dali existiam outras sociedades e também que na cidade dos Sonhos prevalecia o amor, independente de qualquer diferença, até porque algumas diferenças acabariam com o tempo, já que ali não existiria concorrência nem desigualdade social..
Começaram a trocar informações sobre suas profissões, permitindo que todos soubessem um pouco de tudo, e assim, se formaria uma sociedade uniforme.
Suas crianças começaram a crescer, aprenderam a escrever, ler a cuidar dos animais, das plantas e criar suas próprias brincadeiras.
Os pais podiam acompanhar seus filhos nas brincadeiras, afinal ninguém se matava de trabalhar, todos faziam suas tarefas e quem acabava primeiro ajudava o companheiro terminar sua tarefa também.
Não existia venda nem troca, pois tudo era feito por todos e para todos.
As crianças até uma determinada idade apenas brincavam e aprendiam sobre natureza e sabiam que num determinado momento trabalhariam com os adultos. Mas sabiam esperar, porque ali não havia ansiedade, pressa, inveja, desespero, roubo e etc.
No final da tarde os adultos contavam muitas histórias para as crianças, entre elas, contavam como era desastrosa a sociedade em que viveram antigamente. As crianças não entendiam e não acreditava como tantas coisas ruins aconteciam. Sempre perguntavam como uma criança podia ir à escola e não aprender, ou como alguém não tem acesso a água limpa, custavam acreditar que alguém podia dormir embaixo da ponte e ao mesmo tempo outra dormir tranquilamente com todo conforto sem se preocupar com o próximo.
Como as crianças da cidade dos Sonhos foram criadas com muito amor, imediatamente pediram que seus pais buscassem as pessoas das sociedades para morarem com eles. Isso se repetia todas às vezes que essa história era contada. Mas infelizmente não era possível atender esse pedido.
Após escutarem mais uma vez essas histórias, todos foram dormir, mas uma delas não parava de pensar em tudo que escutou e ao adormecer sonhou que estava visitando crianças de outras sociedades.
Ao chegar à cidade ela encontrou várias crianças brincando, respirando ar puro, animais sem serem maltratados. De uma casa sai um adulto e avisa que todos devem se arrumar pois logo chegará a hora de irem à escola.
As crianças pararam de brincar mais continuaram felizes pois amavam estudar e com certeza continuariam se divertindo . Passando algumas horas todas as crianças saíram de suas casas de banho tomado, com uniformes de escola e materiais escolares impecáveis.
Ao chegar à escola que tinha escrito ESCOLA PÚBLICA, percebeu que nada era como haviam lhe contado. As cadeiras, mesas, torneiras, banheiros, lanches, tudo era perfeito, então ela percebeu porque as crianças continuavam tão felizes.
Na sala de aula as professoras davam atenção para todos os alunos, afinal o número de crianças era pequeno e havia muitas salas de aula com grupos pequenos de alunos e professores dispostos. Percebeu que na sala de aula tinha um menininho sentado numa cadeira de rodas e ele não encontrava nenhuma dificuldade para se locomover, pois a escola estava totalmente adaptada, tinha rampas, elevadores e também pessoas com vontade de ajudar.
Perto de terminar a aula, uma das crianças lembrou à professora que ela ainda não havia passado o dever de casa, que era sempre algum trabalho relacionado à natureza.
De repente ela começou a escutar risadas e conversas e acordou.
Levantou motivada, disposta a fazer algo para mudar as histórias tristes que havia escutado. Reuniu-se com as demais crianças e descobriu uma forma de tentar mudar a humanidade que tinha tantas histórias tristes. Resolveram fazer vários barquinhos e colocá-los no mar com mensagens de respeito, incentivo à educação, paz e amor ao próximo.
Uma das criancinhas colocou no barquinho a história da sua cidade, da sua felicidade, da bondade que existe no coração do homem. E sabia que se os adultos não acreditassem no que estava sendo contado pelo menos contariam para as crianças uma historinha de faz de conta com final feliz e quem sabe com isso novamente a vontade de mudar surgiria em alguém daquela sociedade, criando outras belas e novas cidades.
Nenhum comentário:
Postar um comentário