terça-feira, 24 de agosto de 2010

Noturno

Cristiano Alexandria de Oliveira é inteligente, criativo e versátil. Publica hoje uma poesia bastante diferente da anterior. Permita-se, caro leitor, perde-se em seus versos para senti-los.

Inconsciente


Meia-noite
Triste meia-noite
que se aproxima,
inquieta,
selvagem,
sorrateira.
A nuvem negra cobre a lua.
os coros dos desabrigados
gemendo no frio
invadem as janelas.
os homens loucos
emitem seu brado
de angústia.
planejam suicídios,
arquitetam crimes,
destroem vidas,
estrupam mulheres,

oh meia-noite,
doença fatídica,
porque me corrompes...
deixai-me viver...

a lua já é alta,
dominante...
quem somos nós
nesta terra infante.
escorre sangue
dos meus poros.
sinto cheiro de carne queimada.
tenebrosa meia-noite,
desesperada,
pútrida,
rainha,
soberana...

deixai-me viver.

a noite mágica,
a meia-noite cruel.
ladram os cães,
gritam as aves,
cai o frio,
cai a neblina,
desfalece a alma humana
no sono e na doença,
os suspiros rareiam,
os olhos cegam,
as árvores mortas
dão sombras à dor

oh noite bela
meia-noite sublime e eterna
deixai-me viver

cobiça,
inveja,
luxúria, doçura
morrem os amores
na confiança perdida
o abismo é mais próximo
a dor mais aguda
o vento mais forte
tem asas cortantes
vulcões tremendos
lavas que descem
pesadelos horríveis
pânico
e é tudo verdade

oh, noite que pune
puna meus erros
mas peço
por tudo
deixai-me viver

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