Queridos e queridas,
Recebi mais um texto da turma de Filosofia da educação, do curso de Letras: para ler e pensar...
Terra dos contrários.
Gabriel Seif
Estive passeando por muitos lugares, e conheci tanta coisa por esse mundo que ficaria anos aqui tentando explicá-las sem conseguir alcançar uma descritiva honrosa.
Entretanto o lugar que mais me impressionou, e não poderia deixar de tecer algum comentário.
A Terra dos Contrários – é este o nome - praticamente igual ao mundo que estamos acostumados, com algum detalhe diferente. Essa terra tem problemas assim como temos aqui, mas lá eles são chamados de soluções.
As pessoas não pensam em sexo, e podem passar horas conversando e sonhando em encontrar o Amor. O casamento só acontece uma vez na vida. Lá as pessoas ganham dinheiro pra trabalhar e algumas pessoas andam pelas ruas para entregar carros, carteiras, dinheiro e jóias para outras pessoas, e são conhecidas pelo nome de “marginais”. Os “participantes de grupos de apoio” são economistas que ajudam pessoas com algum vício. As instituições de detenção servem para instruir as pessoas que lá ficam por certo tempo, além de banir a ação criminosa dessa terra. A polícia é formada pelos melhores cidadãos dessa terra, já que a proteção e garantia do cumprimento da lei é obrigação de todos os habitantes.
As pessoas são divididas em grupos individuais por características coletivas, e os “emos” são as pessoas que mais fazem piada e dão risada, assemelhando-se aos nossos palhaços.
Na Terra dos Contrários ninguém acredita em heróis, e a esperança morre muito cedo. Eles sempre enxergam a realidade, e aqueles que mantém essa esperança são os políticos vocacionados.
Na Terra dos contrários a música é usada no diálogo e a conversa é a melhor animação de uma festa. Lá os animais são irracionais e os homens usam a inteligência.
Na Terra dos contrários, em casa de ferro o espeto é de ouro.
Na Terra dos contrários, as pessoas se amam como se não houvesse amanhã, pois na verdade amanhã existe e será muito melhor se nos amarmos.
Na Terra dos contrários, nada acaba em pizza.
Na Terra dos contrários não existe conto de fadas.
Na Terra dos contrários existe final feliz. Mas todo final feliz tem uma história!
Acerca da Educação
Precisei retornar à Terra dos Contrários, pois me pediram para criar um modelo de educação. Qual lugar seria mais interessante para observar modelo de qualquer coisa do que a já conhecida, por mim, Terra dos Contrários? Dessa maneira visitei aquele lugar por mais uma vez para verificar a maneira de organização e funcionamento – parte mais importante – da educação.
Assim que cheguei já notei uma mudança. Mas nessa terra, uma mudança de organização está ligada ao todo. Então a organização do todo é motivo e auxílio de cada particularidade. A ordem está presente na formação do indivíduo, assim como o lazer. E o lazer parece muito mais interessante pela existência das ordens. Foi-me dito que por essa ordem, todos os habitantes em todas as idades têm direito a este lazer, então ninguém busca nenhum refúgio parecido com drogas ou outros vícios autodestrutivos. Tive que observar isto por minha conta, pois ninguém sabia o que era a “droga” quando lhes perguntava, além de ter sido confundida com medicamentos por quase todos os perguntados.
Visitei a escola do país, e fui muito bem recebido. Havia um local para refeições e lá estavam professores e alunos em uma aula de alimentação. Continuei meu caminho para outras salas de aula. Não havia anotações informativas sobre qual sala era qual. Percebi então que as salas eram divididas entre as idades. Com uma pesquisa mais aprofundada percebi a existência de uma escola por bairro, e estes eram divididos em espaços iguais. Assim as escolas tinham mesma maneira de organização em todos os lugares naquela terra.
Os alunos ingressavam sem processo seletivo, e desde pequenos entravam na escola com o objetivo de aprender. Aliás, era esta a matéria do primeiro ano: como aprender.
Depois do quinto ano, os professores recebiam lição de casa dos alunos, para responder dúvidas e atingir os pontos de mais dificuldade dos alunos. Não havia reforço. Ninguém tinha problema de faltas. Quando um faltava, outro companheiro de sala já transmitia o que havia aprendido ao aluno faltante. O conteúdo era explicado em teoria e demonstrado em prática, assim, nenhum aluno se perguntava “para quê serve isto?”.
Aproximei-me de um professor e perguntei sobre o método de avaliação. Este professor me pediu para acompanhá-lo, e dirigiu-me ao distrito policial da Terra dos Contrários. Ele prestou queixa de distúrbio da ordem, e fomos presos. Ele e eu.
Passamos o final daquele dia e mais uma noite inteira na cadeia. Lá pudemos conversar sobre tudo, e lho fiz as perguntas que recordava. Ele me explicou que a organização, ou secretaria, das escolas eram muito organizadas, e ligadas às instituições penais. As pessoas que cometiam algum crime cumpriam pena, e durante o primeiro e último dias desta pena, o professor deste indivíduo passaria uma noite com o detido.
Ele também me explicou que o decreto nas escolas era o ensino e o aprendizado efetivo. Não havia motivo na avaliação de conhecimento dos alunos, pois o interesse era deles. Da mesma maneira, não havia motivo na avaliação de conhecimento dos professores, pois não era motivo de orgulho ser um professor com longa ficha criminal. Ao sermos liberados, decidi por não perguntar sobre minha acusação, por mais absurda que tivesse achado. Hoje penso que absurdo é não ser assim.
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