terça-feira, 24 de agosto de 2010

Utopia da educação3

O país da educação



Luana Teodoro

- Bom dia professora!

- Bom dia Felipe!

E caminhei mais um pouquinho......

- Professora já consegui terminar o trabalho que a senhora nos pediu, já posso entregar?

- Maria, esse trabalho é para a semana que vem, você está bem adiantada! Parabéns!

Na sala dos professores os comentários são:

- Hoje vou dar aula no 8°ano, como eles são bons alunos! – disse a professora de português.

- Eu tenho que aplicar uma prova, os alunos estão entusiasmados com a atividade. – comentou o professor de matemática.

- E eu vou pedir que os alunos do 3°ano me ajudem a fazer alguns mapas para colocarmos na Exposição Cultural de Geografia de Encantamento. – Disse o professor de geografia.

No meio da conversa a diretora entra na sala e diz:

- Precisamos fazer uma reunião logo mais à tarde para decidir sobre os novos uniformes dos alunos e sobre as bonificações que o governo no enviou devido às boas notas do provão anual.

E assim começou mais um dia de trabalho na escola onde leciono. Desculpa, não me apresentei, moro num país chamado Encantamento, meu nome é Luíza e sou professora de Língua Portuguesa na Escola Machado de Assis – a escola tem este nome porque o país considera este autor um dos melhores que já existiu quando o assunto é escrever, é uma homenagem a esta pessoa que escreveu tantos livros e que contribuiu para a literatura de um outro país.

Encantamento é país pequeno, muito organizado e desenvolvido, ao contrário os grandes e famosos países que formam nosso mundo.

Eu não nasci em Encantamento. Sou natural de um país da América do Sul muito grande que tem tudo para ser considerado um ótimo país para viver, pois não existem terremotos, vulcões, vendavais, enfim, nenhum efeito catastrófico da natureza, mas por outro lado, a fome, miséria, corrupção, pobreza e violência são constantes, ninguém toma as medidas necessárias para melhorar.

Eu me mudei para cá logo depois que conheci este país, passei férias com minha família aqui e ficamos muito animados com este local - que por sinal tem a Língua Portuguesa como língua materna.

Esforcei-me muito para conseguir mudar com minha família para cá, porque os governantes são extremamente rígidos quando o assunto é fixar residência em Encantamento. É preciso mostrar todos os documentos e convencê-los de que é uma boa pessoa e tem as melhores intenções, além de ter que provar que quer ajudar de alguma maneira o país. O governo não admite falhas nem bagunças, as coisas são muito certinhas.

Tudo funciona corretamente por aqui, dificilmente é encontrada alguma falha e ao ser descoberta as medidas necessárias são rapidamente tomadas. Como minha área é a educação, vou apresentar-lhes como ela funciona por aqui.

A educação faz parte de uma das áreas mais importantes para o governo. O governo não mede esforços para ver todas as crianças na escola e ter todos os cidadãos alfabetizados. Estudar é algo importante e valioso para as pessoas que moram no país. Os governantes dizem que sem educação o país não cresce e se desenvolve, já que é o povo que faz isso acontecer.

Desde pequenos os pais matriculam seus filhos na escola. A idade de iniciação escolar é aos 6 anos, pois é nesta idade que a criança começa a compreender a importância da escola e se “amadurecer”. Antes dessa idade, as crianças ficam em casa com os pais ou outro parente aprendendo cantigas educativas e desenvolvendo atividades que ensinam brincando, como pintar, confeccionar os próprios brinquedos.

Os alunos são incentivados a estudar e eles gostam de estar na escola. O interesse por parte dos alunos é imensa, todos são interessados na aula, tiram dúvidas, lêem, escrevem, pesquisam sobre novos assuntos e sobre o que foi explicado durante a aula, realizam as atividades e até gostam de fazer provas, pois são nas provas que eles mostram o quanto aprenderam e o que precisam melhorar.

As avaliações são contínuas, ao término de cada ponto novo o professor aplica uma prova para ver o que o aluno aprendeu e se é preciso retomar alguma coisa, dessa forma fica fácil para o aluno como para o professor.

O professor tem liberdade para ensinar, ele precisa seguir o que é indicado para cada série/ano, mas pode fazer a aula como bem quiser.

Não existem regras e materiais que precisam ser seguidos diariamente. Ele tem liberdade de escolher dar aula ao ar livre, por exemplo em biologia, como usar objetos do dia-a-dia e que estão em todas as partes para ensinar geometria, levar os alunos para conhecer os relevos, realizar atividades de educação física em parques, ensinar o português a partir de músicas, folhetos, propagandas, enfim, o professor monta a própria aula utilizando quais materiais quiser.

O interesse do professor em ensinar não está totalmente ligado ao salário justo que ele recebe no final do mês, pelo contrário, a satisfação de ver um de seus alunos ingressando na melhor universidade do país, conseguindo um emprego decente e compreendendo o que acontece a sua volta é maior do que prêmios salariais. O professor faz o que ele gosta: ensinar corretamente.

É comum ver pais de alunos ou outra pessoa da comunidade na escola, pois são essas pessoas que ajudam no bom funcionamento da instituição. Eles opinam, ajudam a organizar eventos, participam de reuniões e de tudo o que for preciso. Essa participação acontece porque existe uma conscientização de que é preciso trabalhar junto com a escola para conseguir ser ou ter um morador cada vez melhor.

A escola serve merenda de boa qualidade, nutritiva e saborosa. A maioria dos alimentos são cultivados dentro da escola e os alunos ajudam a cuidar e a preparar a merenda. Parece loucura, mas não é, cada dia é uma turma que prepara o que todos vão comer. Isso não é difícil porque as escolas de Encantamento são pequenas. Por serem escolas pequenas, existem muitas instituições e todas as crianças têm onde estudar.

O aluno fica o dia inteiro na unidade, eles entram às 7 horas da manhã e saem às 17 horas. Parece muito tempo, mas cada minuto é aproveitado. No período da manhã, as crianças e jovens têm aulas teóricas com matérias que contribuem para o seu conhecimento, após o almoço – é servido almoço para todos e têm-se 1 hora livre -, os alunos recebem aulas práticas, como música, teatro, esportes, dança artes e outras línguas. Os professores das matérias convencionais são capacitados para ajudar no que for possível e se quiser participar das aulas práticas também podem.

Não existe uma idade determinada para terminar os estudos. Só existe a idade correta para começar. O ensino obrigado leva 14 anos para ser concluído, depois é opcional do estudante continuar ou não. A maioria dos jovens continua estudando porque gostam de estudar e porque procuram se profissionalizar.

Posso ficar horas e horas escrevendo sobre este país, mas está na hora de eu ir para a sala de aula, preciso fazer o que mais gosto: ensinar. Os alunos já devem estar na sala acomodados e esperando o momento de começar a aula e aprender coisas novas. O país da educação


Lecionar em um lugar onde todos valorizam a educação é mais que satisfatório, é gratificante!

Utopia da educação-2

UMA FORMA DE SONHAR

Renata Vieira Lima

TUDO COMEÇOU EM UMA SEXTA-FEIRA DIA 15 DE JANEIRO. LEMBRO-ME COMO SE FOSSE HOJE.ESTAVA ANGUSTIADA, PENSATIVA, A QUESTÃO DE QUE COMO SERIA A EDUCAÇÃO DAQUI ALGUNS ANOS.MAS, POR QUÊ?

SEREI UMA FUTURA PROFESSORA E JÁ ME SINTO COM A RESPONSABILIDADE DE ENSINAR A FUTURA GERAÇÃO. COMO SERÁ?

SE HOJE A EDUCAÇÃO SE ENCONTRA EM UMA DECADÊNCIA PROFUNDA, EDUCADORES CONFORMISTAS, DESANIMADOS, PREPOTENTES E ALUNOS REBELDES DENTOR DE UAM SALA DE AULA, COMO LIDAR COM ESSA SITUAÇÃO?

MUITOS ALUNOS E PROFESSORES PERDERAM A ESSÊNCIA DE QUE A EDUCAÇÃO É PRIORIDADE NA VIDA DE UM SER HUMANO, É ELE QUE FORNECE A BASE PARA CONSTRUIRMOS UM PRESENTE E FUTURO MELHOR.

DEPOIS DE REFLETIR TUDO O QUE ESCREVI NESTAS LINHAS, FUI ME DEITAR E ACAB EI SONHANDO...]E TUDO COMEÇOU ASSIM:

ERA FEVEREIRO DE 2012 E NAQUELE ANO, SÓ SE OUVIAM FALAR NAS RÁDIOS E NOTICIÁRIOS DE QUE A EDUCAÇÃO DO NOSSO PAÍS ERA MODELO MUNDIAL.A NOTÍCIA SE ESPALHOU NOS QUATRO CANTOS DA TERRA.

EU ESTAVA MINISTARNDO AULA, COM APROXIMADAMENTE 45 ALUNOS, TODOS UNIFORMIZADOS, ANSIOSOS ESPERANDO A AULA COMEÇAR.

O MINISTÉRIO DA EDUCAÇÃO HAVIA CONTRATADO UM GRANDE NÚMERO DE PROFISSIONAIS DE DIVERSAS MATÉRIAS, SALAS AMPLIADAS, LABORATÓRIOS DE PESQUISA, SALA DE INTERNET ALTAMENTE AVANÇADA, BIBLIOTECA QUE ANTES ESTAVA DESATIVADA, FORAM ATIVADAS COM UM ACERVO DIVERSIFICADO COM ATÉ EXEMPLARES RARÍSSIMOS DE SE ENCONTRAR, POLICIAMENTO AO REDOE DA ESCOLA, MERENDA DE QUALIDADE COM A PRESENÇA DE UMA NUTRICIONISTA RESPONSÁVEL PELA ALIMENTAÇÃO DAS CRIANÇAS .ENFIM, UMA EQUIPE TOTALMENTE ESPECIALIZADA EM ORGANIZAR DIVERSOS PROJETOS COM ALUNOS, INCLUSIVE NAS PERIFERIAS CARENTES DA REGIÃO.

TODOS ESTVAM ANIMADOS E ENTUSIASMADOS COM ESTE NOVO PROGRESSO.O GOVERNO NAQUELE ANO INVESTIU 80% SOMENTE PARA O SETOR DA EDUCAÇÃO.

NA SALA DE AULA , UM DOS TEMAS DISCUTIDO ERA SOBRE A CONQUISTA DE UMA NOVA EDUCAÇÃO .JOVENS, ADOLESCENTES E ADULTOS QUE ABANDONARAM OS ESTUDOS , RETORNAVAM COM A ESPERANÇA DE GARNTIREM UMA OPORTUNIDADE MELHOR NO MERCADO DE TRABALHO .

A MOVIMENTAÇÃO NO MERCADO DE TRABALHO, ESTAVA EM ALTA, O ÍNDICE DE DESEMPREGO ERA MENOR NOS ÚLTIMOS DEZ ANOS, OU SEJA, COM A FORMAÇÃO DE NOVOS PROFISSIONAIS QUALIFICADOS E UMA POPULAÇÃO ALFABETIZADA, O MERCADO ADMITE PARA AS ÁREAS QUE ESTÃO VAGAS E COM ISSO O PAÍS SÓ TENDE A CRESCER.

ERA ALGO INCRÍVEL E INACREDITÁVEL. NUNCA HOUVE EVOLUÇÃO INÉDITA COMO FORA ESSA, NEM MESMO QUANDO O HOMEM FOI Á LUA, TEVE TANTA REPERCUSSÃO COMO FOI A GRANDE MUDANÇA EDUCACIONAL DO NOSSO PAÍS.

NA ESCOLA EM QUE EU LECIONAVA, TIVEMOS A VISITA DE VÁRIOS REPRESENTANTES DE VÁRIOS PAÍSES, INCLUSIVE O JAPÃO, PAÍS CONSIDERADO 1º MUNDO. ELOGIAVAM MUITO SOBRE O NOSSO TRABALHO E O EMPREENDIMENTO QUE O GOVERNO INVESTIU NA EDUCAÇÃO. UM DOS PROJETOS QUE OS ALUNOS FIZERAM JUNTAMENTE COM PESQUISADORES NAQUELE PERÍODO, ERA A EXPLORAÇÃO DE PLANTAS DA AMAZÔNIA E A LUTA CONTRA O DESMATAMENTO.OS LAUNOS RECEBIAM LIVROS DIDÁTICOS, MATERIAIS E AINDA UMA BOLSA ESTUDANTIL PARA QUE FUTURAMENTE PUDESSE AJUDÁ-LO NA UNIVERSIDADE.AS UNIVERSIDADES TAMBÉM FORAM INVESTIDAS, DANDO OPORTUNIDADE PARA OS MAIS CARENTES.

EU ESTAVA MUITO SATISFEITA, ADMIRADA E FELIZ COM ESSA REVOLUÇÃO HISTÓRICA.

MAS, DE REPENTE O SINAL TOCOU E EU ACORDEI...

EU ACORDEI ASSUSTADA E VI QUE TUDO QUE ESTAVA EM MINHA VOLTA, CONTINUAVA NO MESMO LUGAR.OLHEI PARA O RELÓGIO PONTAVA MARCAVA 09:00 HS DA NOITE.

O DIA 15 DE JANEIRO FOI APENAS UM SONHO, UM SONHO BOM. A ANGÚSTIA FOI EMBORA E NO LUGAR BROTOU A ESPERANÇA DE UM DIA DESSE SONHO SE TORNAR REALIDADE.

RENATA VIEIRA LIMA

Utopia da educação

Queridos e queridas,


Sabem que sou uma professora apaixonada mas estou cada vez mais feliz com as possibilidades que a disciplina Filosofia da educação me oferece. Entendo que Filosofia é você pode olhar para o mundo questionando-o e a partir dos questionamentos que fizer, posicionar-se, sem se acomodar. Neste semestre, surgiu o desafio de fazer uma turma de 2o. semestre de Letras refletir sobre a educação de nosso país, sem estar na sala de aula como professores. Pensei, então, em aproveitar A Utopia, de Thomas More, para provocá-los a pensar no que seria a educação atual frente às mazelas que vivenciamos. Eles realizaram uma pesquisa sobre Educação no Brasil e leram o texto de More. Escreveram, então, uma utopia de educação a partir de suas reflexões. A seguir, reproduzo alguns dos bons textos que surgiram nesta turma. Vale ler todos e pensar: qual é a sua utopia de educação?

Cidade dos Sonhos
Midian Santos
Um casal que vivia numa sociedade tomada pela violência, desigualdade social, totalmente destruída, descobriu que logo logo teriam uma linda criança para cuidar.

Preocupados com tantas coisas ruins que aconteciam naquela cidade, procuraram um lugar distante que nunca tivesse sido habitado por seres humanos. Escolheram uma ilha pequena e bela e por serem conscientes, fizeram o convite para alguns casais a fim de lá criarem uma sociedade perfeita.

O convite foi aceito por algumas pessoas que com seus conhecimentos ajudariam no desenvolvimento da sociedade.

É claro que eram pessoas com costumes diferentes, que até então também tinham interesses diferentes e abriram mão de algumas conquistas por um ideal que todos a partir daquele momento tinham em comum. Por isso a primeira decisão tomada foi que as crianças sempre saberiam que fora dali existiam outras sociedades e também que na cidade dos Sonhos prevalecia o amor, independente de qualquer diferença, até porque algumas diferenças acabariam com o tempo, já que ali não existiria concorrência nem desigualdade social..

Começaram a trocar informações sobre suas profissões, permitindo que todos soubessem um pouco de tudo, e assim, se formaria uma sociedade uniforme.

Suas crianças começaram a crescer, aprenderam a escrever, ler a cuidar dos animais, das plantas e criar suas próprias brincadeiras.

Os pais podiam acompanhar seus filhos nas brincadeiras, afinal ninguém se matava de trabalhar, todos faziam suas tarefas e quem acabava primeiro ajudava o companheiro terminar sua tarefa também.

Não existia venda nem troca, pois tudo era feito por todos e para todos.

As crianças até uma determinada idade apenas brincavam e aprendiam sobre natureza e sabiam que num determinado momento trabalhariam com os adultos. Mas sabiam esperar, porque ali não havia ansiedade, pressa, inveja, desespero, roubo e etc.

No final da tarde os adultos contavam muitas histórias para as crianças, entre elas, contavam como era desastrosa a sociedade em que viveram antigamente. As crianças não entendiam e não acreditava como tantas coisas ruins aconteciam. Sempre perguntavam como uma criança podia ir à escola e não aprender, ou como alguém não tem acesso a água limpa, custavam acreditar que alguém podia dormir embaixo da ponte e ao mesmo tempo outra dormir tranquilamente com todo conforto sem se preocupar com o próximo.

Como as crianças da cidade dos Sonhos foram criadas com muito amor, imediatamente pediram que seus pais buscassem as pessoas das sociedades para morarem com eles. Isso se repetia todas às vezes que essa história era contada. Mas infelizmente não era possível atender esse pedido.

Após escutarem mais uma vez essas histórias, todos foram dormir, mas uma delas não parava de pensar em tudo que escutou e ao adormecer sonhou que estava visitando crianças de outras sociedades.

Ao chegar à cidade ela encontrou várias crianças brincando, respirando ar puro, animais sem serem maltratados. De uma casa sai um adulto e avisa que todos devem se arrumar pois logo chegará a hora de irem à escola.

As crianças pararam de brincar mais continuaram felizes pois amavam estudar e com certeza continuariam se divertindo . Passando algumas horas todas as crianças saíram de suas casas de banho tomado, com uniformes de escola e materiais escolares impecáveis.

Ao chegar à escola que tinha escrito ESCOLA PÚBLICA, percebeu que nada era como haviam lhe contado. As cadeiras, mesas, torneiras, banheiros, lanches, tudo era perfeito, então ela percebeu porque as crianças continuavam tão felizes.

Na sala de aula as professoras davam atenção para todos os alunos, afinal o número de crianças era pequeno e havia muitas salas de aula com grupos pequenos de alunos e professores dispostos. Percebeu que na sala de aula tinha um menininho sentado numa cadeira de rodas e ele não encontrava nenhuma dificuldade para se locomover, pois a escola estava totalmente adaptada, tinha rampas, elevadores e também pessoas com vontade de ajudar.

Perto de terminar a aula, uma das crianças lembrou à professora que ela ainda não havia passado o dever de casa, que era sempre algum trabalho relacionado à natureza.

De repente ela começou a escutar risadas e conversas e acordou.

Levantou motivada, disposta a fazer algo para mudar as histórias tristes que havia escutado. Reuniu-se com as demais crianças e descobriu uma forma de tentar mudar a humanidade que tinha tantas histórias tristes. Resolveram fazer vários barquinhos e colocá-los no mar com mensagens de respeito, incentivo à educação, paz e amor ao próximo.

Uma das criancinhas colocou no barquinho a história da sua cidade, da sua felicidade, da bondade que existe no coração do homem. E sabia que se os adultos não acreditassem no que estava sendo contado pelo menos contariam para as crianças uma historinha de faz de conta com final feliz e quem sabe com isso novamente a vontade de mudar surgiria em alguém daquela sociedade, criando outras belas e novas cidades.

Movimentos sociais e educação

Ah, é muito bom compartilhar o mundo com seres pensantes e reflexivos. Na semana passada, "cutuquei" uma destas pessoas maravilhosas que me permitem estar em sala de aula e pedi-lhe mais textos para o blog. Eis o que Rutimiriam Porto enviou. Texto polêmico. Vale ler e debater. O blog é pra isso.

A caça às escolas itinerantes
Por: Rutimirian Porto

“Segunda-feira, dia 02 de março, notícia inicial do Jornal da Globo: Ministério Público do RS fecha escola itinerante do MST. Em poucos minutos, a notícia: Presidente Lula crítica assassinato do fulano por parte de integrantes do Movimento dos Sem-terra. Overdose ideológica na veia. Sem anestésico”. (1)

Não é novidade que as principais fontes de informação populares, como jornal da Globo e a revista Veja, com frequência articulam notícias de interesse público de forma distorcida, ou seja, deixando lacunas como diz Marilena Chauí, dessa forma tem formado opiniões de acordo com os interesses políticos desse ou daquele partido. Mostrar o fechamento de escolas do MST e mostrar o presidente Lula contrário ao assassinato supostamente cometido por um integrante do movimento deixa transparecer que essa já não é mais uma causa apoiada pelo mesmo.

É claro que o MST conta com o apoio do atual governo brasileiro. E não deveria ser diferente, já que na essência o PT é ou pelo menos dizia ser um partido de trabalhadores, sendo assim, é coerente que movimentos de reivindicação de trabalhadores rurais por reforma agrária tenham simpatia petista.

Por outro lado, contar com esse apoio não justificaria – caso seja constatado pela CPI que foi aprovada hoje quinta-feira 22 de outubro – que verbas públicas sejam utilizadas por esse movimento. Ao contrário, existem discussões sobre a legitimidade desse movimento como movimento social.

O promotor de justiça do Rio Grande do Sul, Gilberto Thums, defende que o MST transformou-se em movimento político ideológico, financiado por ONGs que recebem verbas públicas e são repassadas ao movimento, com base nessas afirmações algumas medidas foram tomadas como bloqueio às contas bancárias e fechamento das escolas itinerantes.

O caso das escolas é curioso, o promotor afirma que nas escolas desses acampamentos são ensinadas táticas de guerrilha armada. Já o Ministério Público alega que seu fechamento deve-se ao fato de que “elas não seguem as diretrizes pedagógicas oficiais e implantam a ideologia socialista nos alunos.” (segundo o Jornal O Globo de 19/02). Por estes motivos foram fechadas no início desse ano.

O intuito do promotor é defender sua opinião pessoal (segundo o mesmo) de que o movimento deve ser extinto e jogado na ilegalidade por incitar o vandalismo, a violência e a invasão ao patrimônio privado produtivo e que seus membros deveriam ser tratados como criminosos.

Utilizar-se desse discurso pejorativo a respeito da educação nos acampamentos é tão polêmica quanto o próprio movimento, que é amado por muitos e odiado por tantos outros. Se de um lado encontramos entre seus defensores ícones nacionais da educação como Paulo Freire e Florestan Fernandes que defendiam de forma bastante contundente que nosso país é carente de movimentos sociais e que o MST é um símbolo de tal resistência contra o latifúndio e defensor da consciência de classe, por outro somos bombardeados por manifestações da mídia contrárias a ele como é o caso da publicação na revista Veja em setembro de 2004. A jornalista protesta contra o fato dos estudantes terem um calendário alternativo que difere da cartilha do Ministério da Educação, ela afirma que em visita a acampamentos no RS notou que “os professores utilizam, uma espécie de calendário alternativo que inclui a celebração da revolução chinesa, a morte de Che Guevara e o nascimento de Karl Marx. O Sete de Setembro virou o "Dia dos Excluídos", e a Independência do Brasil é grafada entre aspas. "Continuamos dependentes dos países ricos”. (3)

Que a intolerância sempre existiu porque o ser humano não sabe viver com os desiguais, ou não quer saber por medo de perder o poder, não é novidade. Que nosso país se recusa a admitir as discriminações contra mulheres, negros, pobres e aí por diante continuam fazendo parte do nosso cotidiano, também não se discute aqui.

Fico com a definição de Maria Eleusa Mota Santana, representante dos movimentos sociais em Uberlândia, “o MST não foi invenção de alguns (as) trabalhadores (as) brasileiros (as). Trata-se de um movimento social de extrema importância, uma vez que tem uma especificidade classista, uma dimensão contestatória radical. São camponeses e camponesas que se organizaram na luta pela terra e passaram a ser reconhecidos mundialmente como Sem-Terras do MST, numa denominação que a imprensa adota e divulga como sendo a saga do povo camponês ao buscar o fio da meada que havia ficado solto desde o desmoronamento das Ligas Camponesas pelos militares na Ditadura.” (2).

A preocupação real e que não podemos deixar de refletir, é que deixando o maniqueísmo de lado acerca desse assunto, os engajados nesse movimento poderiam ou deveriam pensar até que ponto os protestos do promotor Gilberto Thums são infundados, será que o MST e sua causa nobre não está sendo usado como massa de manobra? De fato sua base é formada por pessoas com extremas dificuldades em vários âmbitos, mas o que há por trás disso tudo, que por que depois de tanto tempo de existência, ultimamente esses pobres famintos vêm incomodando tanto as autoridades?

Não nos esqueçamos que por trás do lema “brioche para todos” gritado pelo povo faminto na Revolução Francesa, estava um forte interesse político burguês que em nenhum momento depois de sua vitória possibilitou o brioche para todos, ao contrário, a fome continuou, a exploração aumentou e deu asas ao vôo do capitalismo.

De qualquer forma, podemos dar asas também ao “terrível” pensamento feminista do poeta Zé Pinto que tanto me encantou:

Não nos faça essa maldade

Se queres lavar meu prato
Só porque tu és mulher,
Imploro-te de joelhos
Não nos faça essa maldade.
Reforçar este machismo
Nunca trará recompensa.
Se a consciência tem flores
Mas também dita a sentença
Nem deveria viver
Quem te faz reconhecer,
Que teu caminho é apenas
Entre o fogão e a despensa.

(Zé Pinto é cantador, poeta e compositor do MST)

Rutimiriam

Fontes
(1)http://livresassociacoesdafifi.blogspot.com/2009/03/escolas-itinerantes-fechadas.html(aceso em 22-out-2009)
(2)www.revistadeeducacaopopular.proex.ufu.br/.../getdoc.php?id...(acesso em 22 out-2009
(3)http://veja.abril.com.br/080904/p_046.html(acesso em 22-out-2009)

Favela tem memória

Queridos e queridas,
Descobri um site que vale espiar : trata-se um um espaço destinado a divulgar histórias sobre as favelas do Rio de Janeiro, inclusive com depoimentos de moradores.
Quando puderem, acessem:
http://www.favelatemmemoria.com.br/

Loucura, poesia e poder

Gustavo Querodia Talerow já dispensa apresentações neste blog. Historiador, professor e mestrando deixa seu olhar e marca presença em seus textos. Gustavo tem se mostrado apaixonado também neste novo caminho que percorre: ao longo das pesquisas para o mestrado, deparou-se com cartas dos internos de instituições de “saúde mental” e deliciou-se com o conteúdo delas.

Generoso, compartilha conosco suas primeiras reflexões sobre o material.



Tem razão! O oceano entre os continentes da loucura: A arte de pensar (n) o Hospital do Juquery.

Simão Bacamarte, protagonista da clássica obra de Machado de Assis, “O Alienista”, ao buscar as causas, as manifestações e as formas de lidar com a loucura, já apontava a dimensão da tarefa a que se havia proposto ele e os “alienistas” de seu tempo:

“A loucura, objeto dos meus estudos, era até agora uma ilha perdida no oceano da razão; começo a suspeitar que é um continente.”

Esta tarefa se torna ainda maior quando consideramos os portadores de transtornos mentais pessoas capazes de pensar, criar e refletir, independentemente da sua doença, uma vez que, nesta abordagem, o limite entre a razão e a “loucura” se torna tênue, muitas vezes quase imperceptível. A discussão sobre a possibilidade de haver ou não uma “razão” por trás das doenças mentais permeou toda a história da Psiquiatria e provocou em determinados momentos o seu afastamento da Psicologia, por exemplo, em suas diversas vertentes. Entretanto, com o movimento de Reforma Psiquiátrica [1], que propõe uma análise multidisciplinar sobre os doentes mentais, as produções artísticas, culturais e políticas destas pessoas passaram a receber uma atenção mais efetiva e pormenorizada.

Fato é que já nas décadas de 1930 e 1940, alguns médicos brasileiros buscavam nas artes a solução para os transtornos mentais de seus pacientes, como é o caso da Dra. Nise da Silveira no Rio de Janeiro e de Osório Cesar no Juquery, São Paulo. Todavia, tanto os psiquiatras quanto a sociedade em geral construíram ao longo do tempo uma imagem de incapacidade destes doentes, de modo que as suas palavras, opiniões, escritos e manifestações artísticas eram consideradas somente a comprovações da presença de delírios.

Como parte das pesquisas para a composição da minha futura dissertação de Mestrado, analiso os prontuários médicos produzidos no Hospital do Juquery entre 1923 e 1945, compondo um perfil dos pacientes ali internados e transcrevendo alguns trechos que julgo elucidativos. Esta verdadeira incursão na realidade que os pacientes ali internados viviam e nas histórias de vida ali apresentadas, foi possível verificar o conflito entre a “razão” e a “loucura”, em tentativas de imposição de suas concepções de normalidade por parte dos médicos e na luta por ter voz por parte dos pacientes. Sem a pretensão de fazer maiores discussões sobre as formas de atuação dos médicos ou sobre o próprio histórico do Juquery, pretendo compartilhar aqui algumas etapas destes conflitos, mais que de “dominação” ou de “controle” em termos foucaltianos [2], mas de mostrar a razão que há por trás da loucura diagnosticada.

Prática comum naquele hospital era a de interceptar as cartas redigidas pelos pacientes para comprovar os delírios apresentados a partir da análise de seus conteúdos e da própria grafia dos doentes (“estudo grafopatológico”). Este acervo se constitui importante fonte documental para compreendermos a visão que os pacientes tinham sobre a sua doença, sua condição de reclusão e sobre o atendimento que recebiam no hospital e a avaliação que os médicos faziam sobre esta produção.

Um exemplo interessante é o do paciente Benedicto R. P, 30 anos, internado em 21/07/1923, negro, sargento da “Força Pública”. No relato de sua doença, o psiquiatra afirma que não encontrou nele a “presença de delírios”, mas que ele é “tolo, ambicioso e tem mania de perseguição”. O paciente redigiu uma carta, que foi interceptada pelos médicos, ao seu superior da Força Pública e ela acabou por constituir a base para o seu diagnóstico de “Parafrenia”. As observações em destaque são a reprodução exata das realizadas pelos médicos na carta em questão:

“[...] estando em bom estado, tomo a liberdade de pedir a V.S., por especial fineza a dispensa do meu irmão cabo-tambor deste mesmo batalhão, afim de que ele possa vir ao hospício entender-se comigo a respeito de minha saída.

Meu mano virá com a minha senhora e as crianças. Provavelmente ele lembrará de trazer as roupas, cigarro, fumo e dinheiro para as despesas que forem necessárias

Falta de lógica

Sem mais, queria aceitar a recomendação afetiva do meu fiel camarada e amigo B.R.P, do regimento de cavalaria”

Egocentrismo e falta de respeito

Aqui é possível perceber que o fato de o paciente tratar com certa intimidade o seu superior, faz com que se legitime o seu diagnóstico, uma vez que ele estaria violando as normas e hierarquias estabelecidas. A clareza da escrita e a coerência nela expressa em nenhum momento são analisadas. Este paciente faleceu em março de 1925, sem que a causa fosse relatada.

Com esta mesma conotação, um rapaz de 28 anos, branco, internado em 29/04/1928 teve as suas cartas endereçadas para sua família interceptadas para comprovar seu diagnóstico de “Melancolia ansiosa”, que fazia com que suas lamentações “entrassem pelo crepúsculo e o encontravam ainda no raiar do dia”:

“Querida família:

Não sei qual o motivo que deixou de vir me visitar. Sinto saudades de todos daí e ninguém vem me visitar. Será possível que vossos corações transformaram em pedra, ou morreram todos? Eu faço questão que minha família venha me visitar.

Estou cansado de escrever a vocês e não obtenha resposta. Esta será a última carta que escrevo antes de ir para o suplício eterno. Quero que ninguém senão chamarei todos vocês de traidores”.

Neste caso, a súplica do rapaz para que a sua família o fosse visitar serviu somente para que se comprovasse a “melancolia” que provocou sua internação. Vale dizer que em seu prontuário consta que ele tinha “inteligência lúcida, caráter reto. Era estudante de Medicina”. Todavia, a lucidez de seus escritos não foi capaz de fazer sucumbir o estigma de loucura que foi colocado sobre ele.

Por outro lado, tive o prazer de encontrar verdadeiras obras de arte anexadas junto aos relatórios médicos. Pude observar poemas, esboços de livros escritos dentro de hospital, partituras de músicas e desenhos diversos com uma qualidade excepcional, que confesso que me despertaram admiração e a certeza de que poucos “normais” ou “não-loucos” fariam melhor. Entretanto, muitas vezes essas composições acabavam passando despercebido pelos médicos, que tão somente as anexavam nos prontuários, sem vê-las, em sua grande maioria, como arte.


Neste sentido, muito me chamou a atenção um poema escrito por Benedicto Antonio N., 37 anos, branco, brasileiro, lavrador, internado em 06/11/1929. Oriundo de Jacareí trabalhava com a plantação de café e teve as suas finanças prejudicadas pela crise econômica ocorrida no ano de sua internação. Neste poema, escrito em 1932, o “paciente” busca demonstrar o que gerou a sua doença e as arbitrariedades e a incipiência da medicina mental que passou a cuidar de seus conflitos pessoais:

“Senhor médico e amigo
Vou contar a minha situação
Quatro anos de sofrimento
Que me corta o coração.

Eu a sete anos atraz estive
Gozando a minha saúde perfeita,
Veio esta baixa do café
Veio esta doença desgraçada todos defeito.

Eu quando vi isso fui procurar
Um médico para curar para ficar forte,
Eu na confiança dele quazi
Me poz mais a morte.

Mas eu percebi isto passei com outro
Elle me receitou injeção de bismutho
Eu pensei que era bom
Era outro bruto!
[...]
Assim foi até que elle me mandou
Ao Hospital de Juquery,
Deixando mai pai e minha terra
E amigos que justamente a Jacarehy.

Agora quando cheguei no Juquery
Fiquei muito desanimado,
A olhar para a cara daqueles doentes
Tão feia que parecia cara de um dia de tempestade.
Eu pensei cá comigo
Aqui neste hospital estou desgraçado,

Mas o que lhe hei de fazer
Se me sinto nesta chave trancado!
[...]
No fim de dezesseis mezes
Lá em desgraça e febre,
Lá foi meia dúzia de corcoveos
Para ver se escapa dos 7 palmos que é debaixo da terra.

Isto tudo é contado pela subida e baixa do café
Em todo o mundo e 7 em 7 anos,
E pelo sangue e nervos que todos morrem
E assim o mundo vai se acabando.
[...]
Vocês estão vendo!
Povos tão doentes e fracos
E o sangue e os nervos que estão
Matando e mandando para os buracos.
[...]
Dou este verso
Por fim terminado,
Dizem os bons médicos
Que se morrer está tudo desgraçado”

Incrível pensar que 80 anos depois as diversas crises econômicas e o próprio mundo em crise, continua a levar muitos “para os buracos” e continua a mexer com os nervos de muitos. O autor do poema foi diagnosticado com “psicose maníaco-depressiva”, o que é fácil de relacionar com seu estado econômico após a perda de seus bens. Um duro golpe àqueles que sempre diagnosticaram a loucura a partir de “sinais de degeneração” [3] ou por questões raciais. Talvez por isso o poema não tenha recebido a atenção que merecia.

Por fim, é impossível deixar de refletir sobre o caso de Laura L. P., 33 anos, branca, brasileira, internada em 01/08/1930. Diagnosticada com “Esquizofrenia”, passou a recebeu as terapias mais agressivas da história da Psiquiatria, como a Insulinoterapia, o Choque cardiazólico e a Eletroconvulsoterapia, o ECT [4], e foi encaminhada para ser submetida a uma leucotomia, o que acabou não se efetivando. Em seu prontuário consta que sua doença se manifestou a partir da morte de sua mãe, o que ocasionou “perda de afetividade” e delírios persecutórios.

Um ponto chave para o seu diagnóstico é o fato de ela recitar poemas em francês, alemão e inglês e “cantar insistentemente”, passando de “uma cançoneta italiana para uma canção alemã ou ainda para um trecho de uma ópera qualquer”. Este seu “estado de agitação” e o volume de poemas recitados e escritos justificavam a sua permanência no Hospital. Em seu prontuário, consta um poema de Vicente de Carvalho, copiado pela paciente em questão, que reforçava, assim, o argumento dos médicos:

“Cahir das rosas
Deixa-me, deixa-me fonte, dizia a flor

Tonta de terror e a fonte sonora e fria
Rolava levando a flor!...
Ahi, balança meu galho, balanços do berço

Meu, ahi claras gottas de orvalho colhida do
Azul do céu! Chorava a flor e gemia branca
Branca de terror e a fonte sonora e fria rolava levando a flor!...
[...]”.

Desta maneira, todo um arsenal terapêutico foi mobilizado somente para conter estas expressões de uma pessoa que possuía uma “perda de afetividade”.

É importante ressaltar que não devemos ver os médicos como “brutos” ou “maquiavélicos”, numa visão maniqueísta. Aquela era a medicina da época que com sua lógica, suas terapias e concepções buscava a cura daqueles que estavam sob a sua responsabilidade. Todavia, o fato é que a herança de estigmatização dos doentes mentais, bem como a sua exclusão social e a subjugação de suas produções permanecem latentes em nossa sociedade.

Os novos estabelecimentos extra-manicomiais têm buscado construir uma abordagem mais inclusiva e que valorize a razão que há na loucura. Numa análise recente podemos verificar esta concepção no documentário “Estamira” [5], que mostra a vida de uma senhora que após sofrer vários reveses em sua vida, manifesta um transtorno mental e passa a viver dentro de um aterro sanitário, o que não a impede de filosofar sobre a vida, religião, sobre questões ambientais e sobre o atendimento médico que recebe.

Assim, voltando à conclusão de Simão Bacamarte, como os oceanos são maiores que os continentes, a razão sempre envolve a “loucura”. Numa sociedade em que tudo deve ser “comprovado cientificamente”, o número de pessoas que sofrem de algum distúrbio mental é crescente. O que é mais racional? O que é ser louco? Talvez tenhamos perdido muito tempo marginalizando os “diferentes” que acabamos nos esquecendo que todos somos iguais. Vale a reflexão.

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[1] Movimento presente em vários países que propõe a extinção dos Hospitais Psiquiátricos e a implantação de uma rede de atendimento alternativo, sem que haja a exclusão social e a manutenção de doentes em regime asilar de longa duração. Para maiores informações, ler: AMARANTE, P. D. de C. (coord.). Loucos pela vida: a trajetória da reforma psiquiátrica na Brasil. Rio de Janeiro: FIOCRUZ, 1995

[2] Michel Foucault, filósofo francês (1926 – 1984). Autor de obras consagradas como “História da loucura”, “Vigiar e punir” e “Microfísica do poder”.
[3] Para maiores informações sobre Eugenia e as discussões sobre “degeneração”, ver: SCHWARCZ, L. M.. O espetáculo das raças: cientistas, instituições e questão racial no Brasil, 1870-1930. São Paulo: Companhia das Letras, 1993.
[4] Essas terapias são chamadas de “Terapias biológicas”, pois cada uma com sua especificidade busca provocar uma alteração no funcionamento corpóreo, seja pelo coma, pelas febres ou pela convulsão, o que teoricamente provocaria a cura das doenças mentais.
[5] Direção de Marcos Prado, 2006.

Teatro latino-americano

A querida e talentosa Queila, que sempre nos brinda com anúncios dos eventos que o grupo do qual faz parte preparou, agora nos possibilita ler uma parte da pesquisa que sei que levará para toda a vida. Os primeiros escritos desta jovem pesquisadora são extremamente promissores, não só em função de sua competência intelectual e disciplina esmerada na elaboração do trabalho mas também pelo "sentir o tema" que lhe fala diretamente à alma.

Segue convite que recebi e repasso para vocês:

Acabou de ser lançado o primeiro número da revista eletrônica Todas as Musas, na qual foi publicado o artigo que escrevi em parceria com a minha orientadora Lucirene Carignato: Teatro e história: um jogo de viceversa.

Pra quem tiver a fim de ler este e outros artigos é só acessar o link abaixo.

Aproveito pra agradecer Gi e Leide pelo "help" na tradução...rs